Taxi Driver, de Martin Scorsese

Filme de taxista? Hum…que saco. Será que rola sexo no banco traseiro?
por Regina Trindade
O ano é 1976. Robert De Niro era um garotão de 33 anos e Jodie Foster tinha apenas 12. Ambos participaram de um dos filmes mais aclamados de Martin Scorsese, Taxi Driver. Ambientado na suja noite de Nova York, o filme nos narra a história de Travis Bickle (DeNiro), um jovem de 26 anos atordoado pela insônia. Este decide, então, procurar um emprego que preencha suas noites: motorista de taxi. Mas o longa não fica no lugar comum das corridas, taxímetros e altos preços. É colocada em cena reflexões sobre o declínio moral da humanidade, da qual Travis se lamenta e diz um dia “varrer das ruas”. Um herói solitário.

A narrativa é sustentada no drama psicológico do protagonista, que se apaixona, desapaixona, gosta e odeia. Às vezes beira a loucura. Beira? Não sei. Acho que ele é realmente louco. Travis atinge sua insatisfação plena quando conhece Iris (Foster), uma “prostituta de 12 anos e meio”, a qual ele decide retirar daquele submundo, nem que para isso fosse preciso derramar sangue. E precisou. Taxi Driver tem uma passagem sinistra, de uns 10 minutos, de um sanguinário tiroteio dentro de um motelzinho barato. É de gelar o estômago. O plano fechado no rosto perturbado de DeNiro mostra toda a indignação que o personagem carrega. As cores frias de Nova York contrastam com o sangue que jorra dos rostos, mãos, peitos, pernas.

Retornando à loucura de Travis. É fantástica a cena em que ele fica na frente do espelho com uma arma, repetindo “Are you talkin’ to me?”. Realmente intimida, viu?
A única coisa irritante do filme, na minha opinião, foi o tema de jazz chatíssimo e repetitivo, de Bernard Herrmann, que já trabalhou com Alfred Hitchcock. Respeito o trabalho desse senhor, que já até morreu (horas depois de terminarem a filmagens – mistério), mas não gostei da trilha mesmo.

Um detalhe: o longa quase correu o risco de ser dirigido por Brian De Palma. Ainda bem que isso não aconteceu. Scorsese é um dos poucos que sabem colocar nos filmes um estilo visceral na dose certa.
Zatamente….
A transformação psicológica do personagem no decorrer do filme é impressionante.
De Niro deu um show de interpretação.
Ótemo Filme!