Uma verdade inconveniente (An inconvenient truth – Al Gore)

por Regina Trindade
Al Gore? Não é aquele que concorreu para chefe da nação mais poluidora do mundo? Sim, ele mesmo. E daí? Vou contar o porquê deste filme no Oito. Encontrava-me sozinha lá na cantina do Metrópolis, na última sexta-feira, quando vi um monte de pirralhos entrando no cinema. Estava atoa com duas aulas vagas e nem sabia que estava rolando a ocupação da reitoria durante o período. Fiquei intrigada e perguntei à Tia Zuma, que trabalha no cinema, o que estava acontecendo. Ela explicou que era o projeto Cine Escola Metrópolis, de grátis, aberto às escolas públicas da Grande Vitória. Eu não estava fazendo nada, então perguntei se poderia entrar. Deram-me permissão. Entrei de gaiato no navio, mas não entrei pelo cano. O filme é bom de verdade.

Preconceitos à parte, o longa é de grande utilidade pública. Al Gore, com seu jeito bonachão e sério quando precisa, soube dar o tom certo para alarmar as pessoas sobre as desgraças que podem acontecer se os países não diminuírem a emissão de CO2 na atmosfera. Vou explicar. O aumento dos poluentes na atmosfera terrestre causa o efeito estufa, pois quanto mais gases são emitidos, mais espessa fica a camada atmosférica e dessa forma os raios solares encontram dificuldades para voltar ao espaço. Resultado: um mundo mais quente, literalmente derretendo.

Al Gore, sustentado por uma exibição de slides que faz ao redor do mundo, mostra as consequências de um aquecimento cada vez maior através de gráficos, fotos, vídeos e depoimentos, informações que são o resultado de uma pesquisa acumulada por ele durante 40 anos. Os gráficos são da melhor qualidade, claros e explicativos. A dinâmica de apresentação também é fantástica. Nem dá sono como as maçantes aulas de data-show que estamos cansados de assistir. O clima tenso do assunto é quebrado por algumas piadinhas e alfinetadas irônicas que, nessa sessão em que estava, só eu achava graça. Acho que estou ficando velha.
Mas continuando. Claro que o lado político não ficou de fora. Al Gore critica, nas entrelinhas, a lastimável política ambiental governo de George W. Bush na terra do Tio Sam. Ambientalista irredutível, Gore dá a entender que faria diferente se tivesse ganhado as eleições. Um cena do filme mostra sua derrota eleitoral sendo recebida como se fosse o pior dos acontecimentos, como se o mundo, agora, não tivesse mais jeito. E acho que é isso mesmo. Radicalismos à parte, como fazer que a cabecinha imperialista de Mr. Bush se abra para o que acontece no planeta? Mas pensando bem, e se o poder subisse também à cabeça de Gore? É difícil fazer previsões, mas acho que foi uma pena ele ter perdido, talvez teríamos uma esperança, sei lá.
Vencedor do Oscar de melhor documentário de 2007, “Uma verdade inconveniente” é um achado. Fala tudo que a gente já sabe, mas de forma que ninguém percebeu antes. Fui privilegiada por estar em uma sessão para crianças e pude ver a reação delas. Espanto e rostos colados na tela. A pirralhada nem piscava. Parece que saíram de lá com algo a mais. Espero, pois é a geração deles que está correndo perigo.

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Depois de um tempão lutando com o Internet Explorer… (O link de “Leia Mais” não abria”) finalmente consegui ler!
Comecei a ler e logo me surgiu a dúvida: Epa, será que esse cara não estava fazendo campanha política?
Pois bem, o seu post já respondeu.
=)