por Regina Trindade
Começa, a partir de hoje no Oito, a “Sessão Grav”. Todas as quintas-feiras serão contempladas com um texto sobre o filme que foi cartaz no Grav, pra quem não sabe, o Grupo de Estudos Audiovisuais, projeto de Extensão coordenado pelo nosso Alexandre Curtis. O Grav funciona da seguinte maneira: todas as terças é exibido um filme de um diretor que é contemplado por três semanas. Ou seja, durante três semanas, são exibidos três filmes diferentes de um diretor. As sessões acontecem nas terças às 19h, na sala do Conexão de Saberes, no segundo andar do Centro de Vivências da Ufes. São grátis, com direito a um debate descontraído no final do filme. Às vezes rolam uns curtas também, sempre surpresas.
Eu, após muito relutar comigo mesma, voltei às sessões do Grav. E vou dividir a minha experiência com vocês. É uma forma conhecer novos diretores e novas linguagens. Aproveitem. Lembrando: o Grav é na terça-feira, com exibições grátis de filmes. O Grav no Oito será nas quintas.
Bem, o filme de estréia da Sessão Grav no Oito é Boogie Nights, de Paul Thomas Anderson. Simplesmente um estouro. Vi em VHS, com aquela imagem típica cheia de ruídos e com o famoso “embolamento” da fita. Mas o filme rodou, e é isso que importa.

Boogie Nights, filme de Paul Thomas Anderson, também diretor de Jogada de Risco (1996), Embriagado de Amor (2002) e do estupendo e fenomenal Magnólia (1999), foi lançado em 1997 e conta a história de um rapaz de 17 anos que, por causa de seus hum, digamos, atributos físicos, é convidado para entrar no mundo dos filmes pornográficos.
O rapaz é Eddie Adams, que mais tarde, torna-se Dirk Diggler, o melhor ator pornô de toda a América. Interpretado pelo ainda iniciante Mark Walberg, Dirk conhece desde o lado incrível da fama, do reconhecimento e do poder até cair no esquecimento, envolver-se com drogas e prostituição de seu corpo. O cara realmente “cai”. Vocês entendem? Cai. É. Nada mais sobre e ele perde o posto na indústria pornográfica. O longa também conta com presença de Julianne Moore no papel de Amber, a atriz mais requisitada do pedaço.

O filme vai do drama à comédia de modo extremamente tênue, ao mostrar as conquistas e as derrotas nas vidas de cada um dos envolvidos com a pornografia. Os personagens às vezes adquirem graus de caricatura, que faz o espectador achar graça ou entediar-se. Dirk fala o tempo todo com seu “membro” de 33 cm de comprimento. Amber fica no dilema entre ser uma mulher “decente” para recuperar ser filho (cuja guarda ela perdeu com o divórcio) e ser a “puta mais gostosa do cinema”. E a Rollergirl???? O que é aquilo??? A moça, interpretada por Heather Graham, fica o tempo todo de patins. O tempo todo. Até para atuar. Já pensou se a rodinha bate lá? Hum. Credo.

A história, de certo modo, relata a carência emocional dessas pessoas, que não possuem base para sustentar a falta de reconhecimento. A decadência e a degradação das personagens é nítida. Elas estão inseridas no contexto da descartabilidade, da velocidade, e suas imagens saturam-se e não mais encaixam-se na tela. O abuso de drogas, o envolvimento com o tráfico e a prostituição implícita funcionam como um placebo para o vazio que sempre esteve em suas vidas, mas que elas só percebem com a derrota.

Apesar de ser um filme sobre a indústria pornográfica, Boogie Nights, ambientado no final dos anos 70 e início dos 80, não é um filme pornô. Paul Thomas Anderson soube medir a exposição dos corpos, os diálogos, de forma a impedir que o longa se tornasse pedante e apelativo. Cenas “reais” de sexo na história quase não acontecem. A maioria delas está inserida nos filmes dentro dos filmes, fria e tecnicamente colocadas. Nem o suposto “grande membro” de Dirk Diggler é mostrado durante toda a duração do filme. Só no final, quando ele fica lá amorfo, pendente em sua impotência.
Trailer meio velho, mas o mais fiel da rede.
O próximo Grav continua com Anderson na próxima terça e dessa vez o filme será “Magnólia”.
Regina achei muito bom seu blog, bem escrito. Sempre quiz saber quais filmes que estão no metrópolis são bons.
bjos
ah! lembra de olhar qual é o meu capítulo..
Haaa
Cada vez que leio esse blog eu descubro mais coisas sobre Regina.
Sim, eu já vi Boogie Nights…
Confesso, foi naquela minha fase cheia de hormônios (será q passou?) em que eu ficava a semana inteira esperando o Cine Band Privé.
Na ocasião (tanto tempo atrás!!), eu me senti frustrado porque esperava que o filme mostrasse bem mais cenas de sexo. O que ele faz, no máximo, é insinuar.
Agora fiquei com vontade de revê-lo para saber se, agora com a vontade de buscar um pouco mais que apenas filmes eróticos (hehe), teria a mesma impressão.
Rá! Que bacana esse blog, nunca tinha entrado - apesar de vê o link às vezes no nick da steh do msn…rs.
Pois é. Tinha visto Boogie Nights mtooo tempo atrás. Até tinha gostado. Mas gostei ainda mais dessa vez (apesar daquela imagem de VHS ampliada horrorosa!…rs). Acho que o diretor consegue criar “climas” muito bem, tanto de humor, quanto os mais dramáticos - como vc disse aí no texto.
enfim. volto mais vezes para ler, agora que eu sei que o blog existe - e é bem escrito.
ps - e que bom que vc voltou no Grav, apesar da relutância. ele é daquele jeito mesmo, mas num é por mal - é só como ele é.